quarta-feira, 4 de julho de 2012

Uma tarde na livraria rende boas indicações

Depois de algumas horas nos divertindo com os livros infantis de uma grande livraria, sentamos para um café e não resistimos à vontade de indicar alguns livros que nos encantaram. E eles tinham algumas coisas em comum.
Todos os autores ou ilustradores que indicamos aqui se tornaram conhecidos por praticar outras artes que não a literatura, mas isso não os impediu de escrever excelentes histórias para crianças. Por coincidência ou não, quase todas as histórias tratam de crianças que aprendem a conviver com algo de que não gostam.

Um garoto chamado Rorbeto (Cosac-Naify), escrito pelo Rapper Gabriel, o Pensador, conta a história de um menino que vive numa comunidade pequena e muito simples. Ao chegar à idade escolar, ele descobre que, além do nome, tem outra coisa bem diferente das outras pessoas. Escrita em versos e ilustrada por Daniel Bueno, com belas colagens feitas com papel jornal, papéis de carta e folhas de caderno, essa história sobre aceitação e autoestima é, ao mesmo tempo, tocante e divertida.


A atriz Julianne Moore é muito conhecida por seus papéis em Fim de Caso ou Ensaio sobre a Cegueira, entre outros. Inspirada em sua própria infância, ela conta a história de uma garotinha ruiva e cheia de sardas. Os colegas da escola a chamavam de Morango Sardento, apelido que ela detestava e que dá título ao livro (publicado no Brasil pela Cosac-Naify). Depois de tentar remover ou esconder suas pintas, ela acaba aprendendo que o tempo é um bom remédio pra conviver com os incômodos, e que a melhor forma de combater a discriminação é encará-la de frente. Ilustrada pela vietnamita LeUyen Pham, a edição brasileira tem a tradução da também atriz Fernanda Torres. A continuação da história, Morango Sardento e o valentão da escola, foi traduzida por Denise Fraga e publicada pela mesma editora.

O artista plástico Vik Muniz é famoso por utilizar materiais inusitados como açúcar, chocolate e lixo em suas obras. A cantora e compositora Adriana Calcanhotto, que quando canta para crianças usa o nome Partimpim, está acostumada a escrever belas canções, além de contos e poemas. Os dois se uniram para criar Melchior, o mais melhor (Ed. Cobogó), mas inverteram os papéis: o artista plástico escreveu, e a escritora ilustrou. O resultado é a história de Melchior, um garoto que não é nem o melhor, nem o pior, em nada. Pensando que sua vida é muito sem graça, ele sonha em ser o “mais” melhor. Até descobrir que o “mais” melhor pode ser também o mais sozinho. E que nenhuma vida é sem graça quando se tem amigos.

A última indicação – Forever Young (Martins Fontes) – não é bem uma história. É a letra da canção que o compositor norte-americano Bob Dylan escreveu quando um de seus filhos nasceu, em 1974. O ilustrador e cartunista Paul Rogers, fã e amigo de Dylan, criou as belas ilustrações que acompanham a letra, fazendo referência a passagens importantes da vida do compositor. A edição brasileira é bilíngue e a tradução é de Estela dos Santos Abreu. O texto é uma carta de intenções de um pai para seu filho e fala sobre viver de forma honesta e corajosa, nunca desistindo diante de dificuldades. Provavelmente, este livro vai agradar não só às crianças, mas também a seus pais e até avós. E não seria nenhuma surpresa se  uma obra que deseja ao leitor a juventude eterna conseguisse promover essa união entre as gerações.

Rita Resende e Carlos Ralize

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