domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ponte para Terabítia

Eu gosto quando começo a ver um filme ou ler um livro sem saber muito a respeito e eles conseguem capturar minha atenção e me surpreender positivamente. Ponte para Terabítia é um desses casos.
O filme é de 2007 e essa resenha vem muito atrasada. Confesso que resisti muito a dar a esse filme uma chance. Pelas imagens dos trailers e dos comerciais, achava que era uma imitação de menor qualidade das Crônicas de Nárnia. E como eu não gostava nem mesmo do "original', como poderia gostar da cópia? Só quando soube que o filme era dirigido por Gabor Csupo, responsável por algumas das melhores séries de animação que conheço, foi que resolvi vencer a resistência.
Valeu a pena. Ponte para Terabítia não é uma cópia de Nárnia e, na comparação, vai léguas à frente. A começar pelo respeito com que trata seu público prioritário: as crianças. E também por ser capaz de encantar os adultos pela sensibilidade da história, sem abusar dos efeitos especiais.
A história trata da amizade entre um menino e uma garota em torno dos 10 anos, que sofrem por não se enquadrarem aos colegas da escola. Na desastrosa cultura escolar norte-americana, eles seriam classificados como "losers". Ele, Jess, é o filho do meio de uma grande família que passa por dificuldades financeiras. Desenhista talentoso e corredor veloz, Jess se mantém isolado de seus colegas que o acham esquisito. Ela, Leslie, filha de escritores, também excelente corredora, com um senso de moda peculiar e muita imaginação.
Aos poucos eles se tornam amigos e descobrem Terabítia, um reino habitado pelos seus monstros, mas também pelos mais belos frutos de sua imaginação. Através de suas aventuras, os amigos aprendem a lidar com os problemas da família e da escola.
A grande diferença entre esse filme e outros que possuem temática semelhante, é que Terabítia mostra as entranhas da fantasia e exige do espectador que use sua imaginação para acompanhar os jovens protagonistas. O filme consegue, com muita sensibilidade, mostrar o valor da fantasia no nosso próprio universo. Ele não exige que nos transportemos para um um mundo alternativo. Antes, mostra que a imaginação é a arma mais poderosa que uma criança pode usar no doloroso processo do crescimento.
Ponte para Terabítia tem um tom melancólico e não poupa seus personagens da perda e da tristeza. Nem tenta dar a ilusão do controle e da reversibilidade dos fatos. Mas mostra, com respeito e sensibilidade, que os monstros podem ser vencidos e que a amizade verdadeira é eterna.
O filme é baseado no livro de Katherine Paterson, escrito em 1976. O livro foi traduzido no Brasil por Ana Maria Machado e publicado pela Salamandra.

4 comentários:

  1. Pra mim a resenha não veio atrasada, veio em boa hora! Logo logo irei assistir! Adorei a dica!

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  2. Eu já tinha visto o filme e por isso assino embaixo da sua resenha. E, se antes de vê-lo, eu já fiquei curiosa para ler o livro, depois dele a vontade só aumentou.

    Processo cemelhante eu tive com "O Castelo Animado" (Howl's Moving Castle), um longa animado feito pelo mestre Hayao Miyazaki e baseado no livro de mesmo nome da escritora inglesa Diana Wynne Jones.

    O desenho me encantou, e quando descobri que existia um livro por trás da história, corri para comprar e não me arrependi nem um pouco. Acredito que o mesmo vai acontecer quando eu tiver em mãos a minah versão impressa d'O Ponte para Terabítia! ^_^

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  3. Eu tinha vontade de assistir, mas não era muita, e como o tempo passou tinha desistido desse filme. Fiquei com vontade de novo.

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  4. Caique, demorei mais assisti...e ADOREI! E a sua resenha está incrível, excelente! Beijos

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