quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Labirinto de Espelhos

Ela estava dentro de um labirinto. Andava em círculos. O cansaço era maior que ela. Sabia haver saída. Saída única, descoberta na singularidade de cada um. Qual era a dela?
Não era um labirinto qualquer. Se é que existe labirinto que pode ganhar este, digamos, adjetivo “qualquer”. Lá havia espelhos. Espelhos côncavos, convexos, escuros, claros, pequenos, grandes, espelhos mosaicos, espelhos feitos da junção de vários outros. Espelhos de todo o jeito, mas em nenhum deles ela sentia que podia ver-se como era. Eles a mostravam ora maior, ora menor, ora roliça, ora magérrima, às vezes repartida em várias, outras vezes repetida muitas vezes, um monte dela mesma. Alguns tentou quebrar, suas mãos sangraram. Outros tentou saltar, tropeçou. Para outros deu as costas, mas ainda haviam espelhos à sua frente.
Crescia dentro dela a confusão. Daquele labirinto não sentia-se pronta para sair. E pensava. Quando é que a gente fica pronta? Resolveu parar um pouco. Tanto fazer podia imobilizá-la. Sentou-se ali mesmo naquela parte do labirinto de espelhos em que estava. O cansaço se fez cama. O tempo ali não era contado por relógios. Acordou. Não abriu os olhos. Foi tateando os espelhos das paredes do labirinto, sentindo suas texturas e jeitos. E começou a se ver em cada um deles. Tinha mesmo dia em que ela estava repartida. Dia em que era muitas. Dia em que era pequena ou grande demais.
Tocou um espelho diferente. Aquele ela ainda não tinha visto no labirinto. Sentiu-se pronta. Abriu os olhos. E pela primeira vez viu-se inteira. Deu um passo. O labirinto já estava para trás dela. Olhou ao lado, viu um homem que havia acabado de sair do labirinto dele. Ele também a olhou. Sem nada dizerem deram as mãos.

4 comentários:

  1. Re, muito profundo. Me identifiquei, mas ainda estou no labirinto.

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  2. ai... esse amor que esperamos e está em nós mesmos... como é duro sair desse nó que a gente inventa, precisa, ama, odeia e simplesmente não aceita e deixa viver...ai... somos todos muito esquisitos!!!!
    A M E I , Renata Truffa!!!

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  3. Re, esse Guilherme Maximiano, sou eu, Kika, mas que não consigo assinar com meu nome!!! bj

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  4. Onde estão "suas" histórias???
    Faz tempo que não escreve...

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